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A Polícia Federal incluiu a Operação Compliance Zero em um documento encaminhado ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) como exemplo da atuação do Estado brasileiro na proteção de jornalistas que investigam casos de corrupção.
O material, elaborado pela Coordenação de Repressão à Corrupção da PF e enviado pelo Ministério da Justiça, responde a uma consulta internacional sobre medidas adotadas pelos países para proteger profissionais da imprensa, denunciantes e ativistas contra ameaças e represálias.
No documento, a corporação cita a terceira fase da Operação Compliance Zero e afirma que a investigação apura a atuação de um grupo suspeito de intimidar e coagir jornalistas que produziam reportagens relacionadas ao Banco Master. Segundo a PF, esse tipo de conduta pode comprometer a liberdade de imprensa, dificultar a descoberta de crimes e restringir o acesso da sociedade à informação.
A operação faz parte de uma investigação conduzida com autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma das fases, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra o publicitário Thiago Miranda Silva, apontado como suspeito de integrar um esquema ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro. As apurações indicam que o grupo teria atuado para influenciar a opinião pública, atacar a credibilidade do Banco Central e intimidar jornalistas e concorrentes.
Entre os elementos reunidos pelos investigadores estão suspeitas de monitoramento ilegal de profissionais da imprensa, tentativa de retirada de reportagens de circulação, uso de dados pessoais obtidos de forma ilícita e oferta de pagamentos milionários para influenciadores produzirem conteúdos favoráveis ao Banco Master e críticos ao Banco Central.
Nos autos da investigação também há referência a mensagens que indicariam planos de intimidação contra jornalistas, incluindo o colunista Lauro Jardim. Ao analisar o material, o ministro André Mendonça afirmou haver indícios de tentativas de silenciar a imprensa por meio de ameaças e violência.
A Polícia Federal destacou esse aspecto na resposta enviada à ONU. O documento, no entanto, não representa uma conclusão judicial nem significa que o organismo internacional tenha classificado o caso como um esquema de corrupção. A investigação segue em andamento e ainda não há decisão definitiva da Justiça sobre os fatos apurados.

